Queridos Irmãos e Irmãs,
ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2009 chegou com razoável barulho, festas, coloridos e fogos, no entanto, fora previamente anunciado como um tempo difícil, de crise econômica globalizada, risco de desempregos, aquecimento global do planeta, conflitos armados, tragédias naturais e todas as conseqüências muito concretas do somatório de tudo isso.
Há razões de sobra para perder a ESPERANÇA! Todavia, nossa ESPERANÇA é Cristo, o Deus-Conosco, solidário e encarnado em nossa história humana. Abrindo-nos para Cristo acolhemos pela fé a graça de Deus e solidificamos nossas crenças na força que vem de Deus. Ele, Deus, fonte do AMOR, é nossa eterna ESPERANÇA. Esperando em Deus somos fortalecidos a enfrentar os desafios que se nos apresentam e que nos perturbam. Não podemos desistir de nós e dos outros com quem convivemos e fazemos história, pois Deus, mesmo diante de sua criação rebelada, infiel e pecadora não desistiu dela. Antes, a assumiu por dentro, num gesto radical de amor e de liberdade divinos. Deus não desistiu de nós! Ele veio para caminhar conosco a fim de iluminar nossos caminhos, libertar nossa liberdade e nos conduzir para Si. Aí está fundamentada nossa ESPERANÇA. Em meio a tantas adversidades e ventos contrários, Deus nos assumiu, nos resgatou e nos re-animou. Esta é a força que carregamos dentro de nós, por isso somos convidados a abrir um ano novo de esperança, acreditando antes no poder, na bondade, na misericórdia, e sobretudo, na providência divina, depois em nossa própria humanidade, fortalecida e assumida por Ele.
Neste sentido, queremos enfrentar a crise econômica com cautela, consciência e participação naquilo que podemos realizar em âmbito individual, familiar e eclesial, priorizando melhor os gastos, sempre com muita responsabilidade. O melhor começo para uma boa conscientização é a informação adequada para um agir comprometido e seguro. No que diz respeito ao trabalho, ou ao emprego, assumi-lo com determinação, coragem, mesmo que não seja muito animador e satisfatório economicamente. Vale, nessas ocasiões difíceis, aplicar-se mais e mais para que o trabalho seja feito com maestria, determinação, e além de tudo, satisfação pessoal. Claro está que nada disso pode segurar alguém em seu emprego caso haja uma crise forte que atinja o setor envolvido, mas ajuda muito na auto-confiança e pode pesar na escolha de quem pode ou será demitido.
Na dimensão ecológica todos e cada um pode ajudar: seja na preservação de sua residência, no monitoramento do lixo, na reciclagem, quanto na salvaguarda da limpeza urbana. Vale também preservar e economizar a água que é um bem finito, cuidar das plantas domésticas e públicas, e sobretudo, formar crianças, jovens e adolescentes para tal preservação. Cabe ainda um alerta contra a epidemia de “dengue”, que muito fez sofrer o nosso povo no verão passado. É necessário, cada vez mais, uma atenção aos criadouros possíveis do mosquito transmissor, ou seja, objetos que possam acumular água parada.
Sobre o conflito armado, parece que estamos longe dele, mas nem tanto. Vivemos e convivemos com constantes ameaças à paz também em nosso bairro. Não é uma guerra entre nações e não tem motivos ideológicos, políticos ou religiosos, mas é uma guerra civil de um poder paralelo que defende e promove o tráfico de drogas e que tanto vitima nossa sociedade carioca com uma violência cada vez mais crescente. O que podemos fazer nesse sentido? Tudo poderemos fazer pela vida, basta-nos a graça de Deus e a coragem profética. Sobre isso, a Campanha da Fraternidade de 2009 vai nos ajudar muito em suas diretrizes, abordando a justiça social como aspecto de paz.
Diante de todos esses desafios, que parecem diferir entre si, em seu centro está a vida humana, ameaçada, desvalorizada, desrespeitada. Olhando reflexivamente para este centro descobrimos novamente a esperança. Ela é Cristo e só pode brotar d’Ele. Ele nos conferiu vida em abundância, porque veio para que todos tenham vida. Agarremos pois a Cristo em nossas orações, celebrações, reflexões e encontros para que nosso agir seja norteado pelo agir e pela vontade do próprio Cristo.
Celebrar o Natal, o nascimento de Jesus, o Cristo, é portanto, antes de mais nada reconhecer essa verdade de nossa fé, e num segundo momento, em conexão com toda a vida do Senhor que nasce pobre no Presépio de Belém, morre abandonado pelos seus na Cruz e é ressuscitado no poder do Espírito pelo Pai, fazer de nossa vida uma decisão profunda de santidade no seguimento de seu modo de ser e agir no mundo. É assim que respondemos afirmativamente ao generoso convite de Deus que nos atrai para Si. Celebrar o natal, é ainda, mais do que fazer memória de um fato bonito e excepcional a atualização de um novo nascimento para cada ser humano de fé. Em Cristo, nascemos para Deus e para Ele tendemos, portanto o sinal celebrativo de seu nascimento nos aponta para o infinito, para a eternidade feliz em Deus.
Que o ano de 2009 seja, no desafio de seus dias, o ano da esperança, e que Deus nos abençoe, desde já.
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