udo começou na região de Santa Alexandrina. Procurando locais altos para se livrarem das febres, que na época era o mal mais temido, os fundadores da fazenda do RIO COMPRIDO resolveram construir seus solares naquela região. Na parte mais baixa, onde hoje está a rua Aristides Lobo, ficavam os sítios e vacarias.
Daí, então, foi surgindo o desfilar de nome como Floriano Peixoto, que morou no antigo 102 da rua Santa Alexandrina, onde hoje se encontra o hospital do DNER, Geraldo Rocha, político proeminente, construtor do Jornal "A Noite", que morava em um palacete - remanescente da época das grandes revoluções brasileiras - vendido após sua morte sendo hoje a Cia. Ájax de Seguros.
Ainda na Santa Alexandrina, precisamente no final, havia a mansão da família Halvaído e Paula Ramos, ainda em mãos de descendentes diretos, estando hoje como uma ilha, cercada de favelas por todos os lados. Já o solar da família Carrazedo deu lugar às instalações que servem ao Clube Ginástico e Desportivo do Rio de Janeiro, antigo Clube Alemã, em cima do Túnel Rebouças. Como detalhe, um único remanescente dos Carrazedo ainda mora no local, ao lado do Clube.
Todas essas ilustres famílias, assim como a Barros, constituída por grandes advogados, pertence à mesma época e seu solar ainda permanece em pé, na rua da estrela. Houve ainda os Bráulio e Guidon, com sua mansão na Rua Cândido de Oliveira, antiga Rua dos Prazeres, onde hoje se encontra o Edifício Caravelle.
Os terrenos eram limítrofes ao rio e os da margem esquerda foram doados à Mitra, por volta de 1860, vindo, então, a construção do seminário São José, tombado pelo Patrimônio Histórico. A casa do Bispo, no Sumaré, também é oriunda desta doação.
Os escravos negros faziam suas danças e candomblés no Clube Miséria e Fome, em cima da serraria na esquina de Estrela com o Largo, hoje padaria Maia.
Com a 2ª geração, o RIO COMPRIDO passou a ficar muito mais povoado, pois além das famílias fundadoras começarem a ficar mais numerosas, precisando de novas moradias, houve, também, novos nomes que chegavam. Desses nomes constam os Meanda, com seu palacete ainda firme, em frente ao Hospital do DNER. A família Taborda constituída por ilustres aviadores Carlos Gomes, Villa-Lobos, Ataulfos Alves, o maestro Lourenço Fernandes e tantos outros
O RIO COMPRIDO corria, então, onde hoje se situam as residências que dão frentes para ele. A poluição aumentava cada vez mais e a Rua Aristides Lobo servia às residência proletárias. Apesar de tudo, as vacarias existiam até o ano de 1934, com as vacas sendo puxadas de casa em casa e o leite tirado de porta em porta.
Com o novo alinhamento da Santa Alexandrina, na época do prefeito Paulo de Frontin, o bairro viveu seu apogeu urbanístico, com construções novas surgindo a cada instante. Todos ganharam com a nova margem do RIO COMRIDO.
Em 1932, a Avenida Paulo de Frontin foi concluída, sendo feito o completo até onde está o Rebouças, na atualidade. Da Ponte dos Marinheiros até a Praça Condessa Paulo de Frontin já existida desde 1922.
O RIO COMPRIDO era um dos mais pitorescos, mais salutares e mais agradáveis lugares do Rio de Janeiro. Andava-se de bicicleta pelas ruas e havia muitas festas nas residências. Todos estudavam no Pedro II ou Colégio Militar ou São José e a vida era feita aqui mesmo. Cinema Apolo onde a tia Bené Nunes tocava piano era o grande divertimento; ficava na esquina da Paulo de Frontin com a praça. Nos domingos à tarde, concerto de banda no coreto. Seu Manuel, na Santa Alexandrina, onde hoje está o japonês dos pastéis, era o dono do armazém que serviu a todas as gerações,desde 1911. Ali todos tinham contas abertas.
Este era o ambiente residencial característico do RIO COMPRIDO, transformado lenta e gradualmente com a chegada do Rebouças, idéia nascida em 1927. Todos se iludiram e acharam que a construção do túnel iria beneficiar o bairro. Profunda ilusão e toda uma população ludibriada com as obras.
Hoje o RIO COMPRIDO, de residencial passou a servir de passagem para toda a Zona Norte. É carente de cinema, teatros, restaurantes e até farmácias de plantão, assalto é o que não falta, deixando seus moradores apreensivos. Sem contar com o problema de trânsito, transporte, enchentes e vai por aí.
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