
(continuação do texto publicado em dezembro de 2008)
Estamos no Ano Capitular de nossa Custódia Provincial Imaculada Conceição. Isto é, neste ano de 2009, no mês de julho, os Frades Menores Conventuais de Nossa Custódia (nome jurídico-religioso dado a um grupo pequeno de frades vinculados à uma Província) se reunirão em Capítulo para avaliar os últimos quatro anos e planejar os próximos. Será a primeira fase do Capítulo Ordinário, ou seja, o Capítulo eletivo do Custódio Provincial (superior de uma Custódia) e seu Definitório (Conselho de gorverno). Normalmente, como tem acontecido nos últimos Capítulos Ordinários, a composição das casas (conventos e paróquias) acontece na segunda fase do Capítulo, ou seja, lá pelo mês de setembro.
Para melhor entender esse processo, continuamos nossa reflexão sobre a origem do Capítulo Franciscano.
ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO CAPÍTULO CONVENTUAL
Nenhuma das duas Regras de São Francisco faz menção ao chamado Capítulo Conventual, e óbvias são as razões para o fato. O processo de sedentarização dos frades em moradas fixas (eremitérios ou outros locais), embora já iniciado em 1217 pela evolução natural e irreversível e com a aprovação dada pelo fundador encontrava-se ainda em fase de sistematização no momento da redação da Regra Bulada (Regra aprovada por bula papal). Neste ínterim, os freqüentes Capítulos Gerais (de toda a Ordem)e Provinciais (dos frades de uma mesma província) procuravam satisfazer o desejo de encontro fraternos, comum a todos os frades e as exigências fundamentais da organização da Fraternidade.
Na medida em que os núcleos locais (conventos) iam progressivamente se consolidando em cada província, as fraternidades sentiam necessidade de uma organização de vida comunitária com estruturas próprias, visando atingir este objetivo, a organicidade da sua vida comunitária do mosteiro beneditino, combinando liturgia eucarística e horas canônicas, com reuniões capitulares, múltiplas consultas ao grupo, confissão corretiva das culpas, leitura da Sagrada Escritura e da Regra, oferecia modelos de estruturas que a fraternidade franciscana procurava de forma totalmente espontânea imitar e impregnar com seu espírito próprio. O capítulo de consulta ou de participação no governo era consentâneo com a gestão fraterna da vida comunitária; o capítulo da confissão corretiva era acolhido como um exercício de experimentada utilidade espiritual, já praticado por São Francisco em todos os seus encontros com os frades; o capítulo da Regra e a Collatio (reunião) encontravam também seus correspondentes na organização da vida da fraternidade franciscana mediante o capítulo genérico utilizado para a conversação espiritual e para a leitura da Regra atendendo ao pedido constante do fundador confirmado no Testamento (última vontade do fundador escrita). A tudo isso se deve acrescentar a experiência dos freqüentes Capítulos Gerais e Provinciais que já se tinham constituído em estrutura fundamental na vida da Ordem e da Província.
As poucas informações históricas que temos a respeito da Origem do Capítulo Conventual nos Conventos Franciscanos nos garantem que, por volta de 1230, já faziam parte integrante da organização cotidiana da vida comunitária.
Segundo a Legenda Assídua, no eremitério onde morava Santo Antônio, vigoravam algumas observações sagradas que previam um capítulo matinal e a collatio ou conversão espiritual comum, à tarde. O santo participava pontualmente destas prescrições. Não podemos afirmar com toda certeza que o capítulo matinal fosse um capítulo conventual, mas é certo que a collatio constituía o núcleo do Capítulo da fraternidade. Antes que a collatio tivesse se transformado num discurso ou sermão oficial ela era a reunião comunitária que, segundo os costumes monásticos, dava-se depois das Vésperas (oração da Tarde) ou no local onde se ouvia uma leitura espiritual, participava-se do Capítulo das Culpas e se entabulava um diálogo fraterno de mútua exortação. O discurso que Santo Antônio profere na comunidade dos frades do convento de Forli se dá exatamente na hora da reunião dos frades.
Continua no próximo mês.
Rezemos pela Preparação do Capítulo Ordinário, para que o Espírito Santo, que sopra onde quer, não só o prepare e o convoque, mas o presida, para maior glória de Deus.
Irmãos até lá.
Frei Carlos Charles